Homenageados

Homenagem a Alceu Valença e Zé Cláudio

ALCEU VALENÇA

Alceu Paiva Valença nasceu em 1º de julho de 1946, em São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco. A infância vivida no interior do Estado fez com que ele entrasse em contato com várias manifestações que caracterizam a cultura pernambucana, como o cordel, o coco, o forró, o baião e o xote, que terminaram determinando sua produção musical. Aos oito anos, mudou-se para o Recife, onde entrou em contato com outros ritmos, como frevo, maracatu e ciranda, angariando novas influências.

Assumiu a música como ofício ao classificar três composições na fase eliminatória do Festival Internacional da Canção, promovido, em 1970, pela TV Globo. Deixou o Recife e foi para o Rio de Janeiro, mas não abandonou sua identidade pernambucana. Lá, formou o grupo Os Pernambucanos, ao lado de Geraldo Azevedo e Paulo Guimarães. O trio virou uma dupla, Alceu e Geraldinho, que lançou seu primeiro disco em 1972, conquistando mais a crítica do que o público.

Dois anos depois, Alceu foi protagonista do filme “A Noite do Espantalho”, de Sérgio Ricardo. A empreitada cinematográfica favoreceu sua projeção nacional e o lançamento de seu primeiro disco solo, “Molhado de Suor”. Ainda na década de 70, o cantor lançou os álbuns “Vivo” (1976) e “Espelho Cristalino” (1977), que, apesar de serem citados entre seus melhores trabalhos, não foram suficientes para que ele se aproximasse do público.

Alceu, então, decidiu passar uma temporada em Paris. Lá, em 1979, ele gravou “Saudades de Pernambuco”, que representou um mergulho em todas as referências musicais que ele adquiriu na juventude. Também na capital francesa, o cantor gravou a música “Coração Bobo”, inspirada em Jackson do Pandeiro, com quem havia percorrido o Brasil em 1978, no Projeto Pixinguinha.

De volta ao Brasil em 1980, Alceu começa a fazer grande sucesso com os álbuns “Coração Bobo” (1980), “Cinco Sentidos” (1981), “Cavalo de Pau” (1982) e “Anjo Avesso” (1983). Todos eles tiveram mais de 1 milhão de cópias vendidas. Com o público brasileiro conquistado, ele dá continuidade à sua carreira internacional, que foi iniciada de forma tímida na França.

Nos anos seguintes, Alceu lançou outros 21 álbuns. Entre eles, destacam-se: “Andar Andar” (1990), no qual ele se aproxima do blues; “Sete Desejos” (1991), que construiu uma ligação entre os ritmos nordestinos e o pop internacional; e “O Grande Encontro” (1996), em parceria com Elba Ramalho, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo. Este último corresponde a uma das mais acalmadas reuniões da música brasileira.

Símbolo do Carnaval pernambucano, Alceu reuniu, em 2006, 150 mil pessoas no Recife Antigo para gravar o DVD que seria uma ode à folia momesca: o “Marco Zero ao Vivo”. Homenageado do Carnaval do Recife em 2012, Alceu prepara o lançamento de um novo disco, totalmente dedicado ao frevo. Ainda este ano, chega às telas seu primeiro filme, “A Luneta do Tempo”, no qual estreia como autor e diretor de cinema.

ZÉ CLÁUDIO

José Cláudio da Silva nasceu em Ipojuca, no litoral pernambucano, em 1932. Começou a desenhar nos papéis de embrulho da loja de seu pai e, em 1952, interrompeu o curso de Direito para ingressar no Atelier Coletivo, da Sociedade de Arte Moderna do Recife, dirigido pelo escultor Abelardo da Hora.

Zé Cláudio, como ficou conhecido, recebeu influências artísticas de outros estados brasileiros. Na Bahia, ele frequentou o ateliê de Mário Cravo e Caribé. Em São Paulo, trabalhou com Di Cavalcanti e Lívio Abhramo, e realizou sua primeira exposição individual: “Desenhos”, no Clube dos Artistas e Amigos da Arte, em 1956. Um ano depois, ele participou da IV Bienal de São Paulo, onde recebeu um prêmio de aquisição.

Em 1975, Zé pintou 100 quadros a óleo, documentando aspectos da Amazônia. As obras foram produzidas a partir de uma viagem pelo Rio Madeira, realizada a convite do zoólogo e compositor Paulo Vanzolini, que costumava levar artistas em excursões à floresta. Um dos desenhos da série foi levado pelo zoólogo americano Ronald Hayer para o Museum of Natural History de Washington. Os quadros foram adquiridos pelo governador de São Paulo, Paulo Egydio, e estão, até hoje, no Palácio Bandeirantes.

Zé também se aventurou pelo campo da literatura. Lançou os livros “Viagem de um jovem pintor à Bahia” e “Ipojuca de Santo Cristo”, em 1965, “Bem dentro”, em 1968, e “Meu pai não viu minha glória”, em 1995.

Em 1992, ele foi um dos dez artistas brasileiros eleitos por uma comissão de críticos para produzir o cartaz comemorativo dos 50 anos da chegada da Coca-Cola ao Brasil. Em 2004, pintou um painel sobre festas populares de Pernambuco para o novo Aeroporto dos Guararapes. Atualmente, Zé Cláudio reside em Olinda.

HOMENAGEM AOS BLOCOS

O Baile Municipal presta uma homenagem a dois importantes blocos carnavalescos da cidade, que completam 80 anos em 2012: Bloco Carnavalesco Misto Batutas de São José; e Banhistas do Pina.